Aprendiz de servo inútil

Aprendiz de servo inútil

Acho que posso dizer que sou um cara contrariado. Muito contrariado. Não queria me casar, pois achava mais divertido ter uma namorada nova a cada seis meses, mas estou casado há mais de 13 anos. Não queria ser jornalista, pois é uma atividade onde se trabalha muito e ganha pouco, mas milito nessa profissão há 24 anos. Não queria ter filhos, pois achava que dava muito trabalho, mas tenho três. Não queria ser Cristão, pois queria aproveitar todas as coisas “boas” que o mundo oferece. Felizmente, alguém lá de cima resolveu, contra toda a minha vontade, me contrariar. De forma muito relutante, passei a “ser da lei de crente” simplesmente porque não vi outra saída. Apesar de conhecer todas as minhas sujeiras, Deus, em sua infinita misericórdia, resolveu me atrair e escrever meu nome no livro da vida por mérito único e exclusivo de Jesus.

Só isso, já seria o suficiente para eu ser grato pelo resto da minha existência. Não me perguntem por que, mas Deus, do alto da sua misericórdia e graça, resolveu também me abençoar em tudo aquilo que eu não queria fazer. Me deu esposa e três filhos maravilhosos (acho que todos têm como ministério principal ter paciência comigo) e me proveu sustento por meio de minha profissão. Olhando para dento de mim e observando o que Deus fez, fiquei preocupado quando li o versículo bíblico: “Ao que muito foi dado, muito será exigido”.

Com 50 anos de vida, completados dia 21 de maio, confesso que vivi de forma medíocre. Podia ter feito mais, porém a preguiça, a procrastinação e a covardia fizeram com que eu me conformasse com o meio termo. Quando criança eu não costumava me esforçar para tirar um 10 quando sabia que um sete garantia minha aprovação. Nesse, e em muitos casos, a preguiça suplantava em muito a minha vaidade. Na vida cristã também foi assim: fazer o mínimo necessário.

Agora que completei meio século de existência, o que me deixa teoricamente mais próximo de encontrar face a face com o Senhor Jesus (na prática pode acontecer a qualquer momento), tento diminuir os motivos de vergonha que terei em sua presença. Para isso tenho tentado tirar os talentos que Deus me confiou do profundo buraco no qual eu os coloquei. Dessa forma, me esforço para chegar perto do que seria, nas palavras de Jesus, um servo inútil (“…quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer. Lc 17:10). Sei que aqui na terra não conseguirei alcançar esta meta, por isso seguirei sempre sendo um aprendiz. Aprendiz de servo inútil.

 

Mauro Gomes

Aprendiz de servo inútil

Eu me rendo

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