Crentes na Boate Kiss

Crentes na Boate Kiss

            Todos as pessoas que estavam na Boate Kiss, que incendiou-se matando perto de 240 pessoas,  tinham condições de verificar que aquele não era um lugar seguro caso ocorresse um incêndio. Bastava fazer algumas perguntas. Existem portas de emergência suficientes? Os extintores estão funcionando? A casa está legalizada nos órgãos públicos? Mas isso é ridículo. Eu não teria coragem de ir a uma boate ou ao cinema e, antes de entrar, procurar o gerente para fazer essas perguntas. Até por que, se a respostas fossem negativas, eu iria preferir correr o risco do que perder a noitada. Afinal, tá todo mundo lá dentro e só eu vou ficar de fora por ser mais cuidadoso?  É melhor fazer de conta que prefeitura, bombeiros e empresários estão fazendo a sua parte e acompanhar a manada sem fazer questionamentos. Detestaria ser ridicularizado, considerado um chato ou um radical que fica avaliando os riscos e examinando as coisas. O negócio é relaxar e aproveitar.

            Na igreja, posso estar me comportando como os jovens daquela boate. Isso ocorre quando não me preocupo em questionar se não estão havendo sérias distorções no cristianismo que praticamos dentro da  igreja. Temos demonstrado o amor que Jesus diz que seria  marca registrada dos seus seguidores? Temos nos negado a nós mesmo? Temos rejeitado a cultura do mundo? Mas da mesma forma que os jovens da boate Kiss, eu não me dou ao trabalho de questionar essas coisas porque, se a resposta for negativa, eu não iria ter coragem de remar contra a maré, afinal, tá todo mundo vivendo do mesmo jeito. Só eu vou ser o “Caxias”, radical, metido a espiritual? É melhor fazer de conta que a vida cristã é assim mesmo, sem fazer questionamentos.

Diferente disso, a Bíblia, em inúmeras passagens, nos adverte sobre a importância de questionarmos o tipo de vida cristã que vivemos. Paulo, por exemplo, pede aos coríntios que examinem a própria vida em busca das evidências da salvação. De acordo com o comentário da Bíblia de Genebra, em 2 Co 13:5, tais evidências seriam: a confiança em Cristo (Hb 3:6), a obediência a Deus (Mt 7:21), o crescimento na santidade (Hb 12:14, 1 Jo 3:3), o fruto do espírito (Gl 5:22-23), o amor entre os cristãos (1 Jo 3:14), a influência positiva sobre outras pessoas (Mt 5:16), a aderência ao ensino dos apóstolos (1 Jo 4:2) e o testemunho do Espírito Santo em seu coração (8:15-16).

Os jovens da Boate Kiss optaram por não fazer questionamentos e seguir a manada para não serem rejeitados pelos seus grupos sociais. Muitos, quando descobriram  que estavam no caminho errado,  era tarde demais.

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”. Jesus em Mateus 7:21

Mauro Gomes

Aprendiz de Servo Inútil

9 Comentário

  1. Muito bom. Muito interessante a analogia.

  2. Muito interessante. É mesmo muito importante fazermos estas perguntas a nós mesmos. Afinal estamos priduzindo frutos concientes de uma vida cristã ou apenas repetindo o que outris fazem ou mandam fazer?

  3. Lene e Júlio

    Parabéns Mauro, tiro o chapéu pra vc na sua analogia como o colega aí falou, muita sábia suas palavras e espero que sirva de ajuda aos que lerem e possam aplicar nos corações, que Deus possa confortar toda as famílias enlutada,fica na paz!!!!

  4. Anailza Carvalho

    Tantas vidas foram ceifadas naquela noite, pelo simples prazer momentâneo. Que possamos levar a palavra para nossos jovens que O Senhor Deus é suficiente na vida de cada um. Abraços.

  5. Petrônio Tavares Filho

    Prezado cunhado Mauro, louvo a Deus por sua vida, que Deus continue usando-a para propagar o evangelho (boas notícias) do amor e perdão de Jesus por nós, parabéns pelo texto e pelos desafios de uma análise introspectiva que nos leve a mudanças radicais.

  6. Petronio Omar Querino Tavares

    Estimado Mauro, tenho sido edificado com suas reflexões, que são fruto da ação do Espírito Santo de Deus tocando o seu coração. Me sinto muito à vontade para dizer que são em alguns casos mais edificantes que muitos “sermões”… Qual o papel das nossas Igrejas frente aos inúmeros desafios sociais que o mundo nos apresenta? Como Jesus – se viesse a nos visitar – iria encarar os templos modernos, confortáveis e bem estruturados servindo aos “mesmos”, semana após semana, mês após mês, ano após ano e uma enorme seara desprovida da pregação do evangelho? Para que servem as nossas Igrejas fechadas na maior parte dos dias, sem prestação de serviços às comunidades carentes de apoio e assistência? Vá em frente, Mauro… A seara é grande e são poucos os semeadores para a seara do Senhor. Fraternalmente, em Cristo Jesus. Petronio Tavares, presbítero.

    • Caro Dr. Petrônio, Deus o abençoe com graça e bondade. Realmente, existem muitas coisas sem sentido em nosso meio.

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