Sou igual ao homossexual e ao pedófilo

Sou igual ao homossexual e ao pedófilo

         É comum se achar que, ao amanhecer de um belo dia, alguém seja capaz de escolher: a partir de hoje vou me sentir atraído por pessoas do mesmo sexo ou, de hoje em diante, vou gostar de bolinar criancinhas.  Isso seria o mesmo que acreditar que uma pessoa em sã consciência seja capaz de optar por passar a vida sofrendo um dos males que mais aterroriza um ser humano: ser marginalizado e rejeitado pela sociedade.

Até hoje, nem a ciência, nem a medicina explicam o que leva uma pessoa a ser homossexual ou pedófilo. Na maioria dos casos é uma coisa que surge aparentemente do nada. Mas, em outros, identifica-se alguma relação com abusos sofridos na infância. A verdade é que os desejos surgem espontaneamente, sem que as pessoas façam esforço para isso.

Sei bem como é pois acontece comigo da mesma forma. Também sou constantemente atacado por desejos perniciosos que emergem do coração tão “naturalmente como o suor brota dos poros”, como exemplificou Philip Yancey. Não tenho tendências homossexuais ou pedófilas, mas sou um adúltero em potencial. Um homem corrupto herdeiro de Adão. O mesmo Adão que um dia cobiçou ser igual a Deus e na esteira da sua ambição trouxe maldição à terra. A maldição que trouxe à existência as ervas daninhas, trouxe dor, sofrimento e morte à raça humana (Gn 3:17,18). O adultério, a vaidade, a avareza e todo o egoísmo que habitam o meu coração vem daí. Não escolhi ter nenhum desses sentimentos, mas nem por isso eles deixam de ser realidade na minha vida.

Deus veio ao mundo como Jesus e foi muito claro:  “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo”. Tocado pelo Espírito Santo, posso me arrepender e decidir rejeitar minhas muitas maldades. Contudo, isso não mudará a minha natureza corrupta. Ela continuará lá, gerando uma guerra diária entre a carne e o espírito, como Paulo tão bem descreve em Romanos 7:14-24. Em razão disso, assim como me alimento de feijão e arroz todos os dias, necessitarei também alimentar meu espírito diariamente para não satisfazer os desejos da carne (Gl 5:16) que, em princípio, oferecem prazer, mas seus frutos, ao final, são tristeza, miséria e humilhação.

Quanto ao arrependimento, John Macarthur afirma: “O arrependimento não é um ato único. O arrependimento que ocorre na conversão, dá início a um processo vitalício e progressivo de confissão (1 Jo 1:9). Essa atitude ativa e contínua de arrependimento produz a humildade de espírito, o choro e a mansidão sobre a qual Jesus falou nas bem-aventuranças. Esta é a marca de um verdadeiro cristão”.

 

O apóstolo Paulo afirma que os homossexuais não herdarão o Reino de Deus. Mas para os homofóbicos de plantão é bom lembrar que na mesma lista ele inclui os arrogantes, avarentos, invejosos, adúlteros e egoístas, entre outros que podem ser encontrados facilmente nas igrejas. Ou seja, todos nós precisamos de arrependimento.

O que ocorre, no entanto, é que esse negócio de arrependimento é muito pouco popular hoje em dia.  O religioso não renuncia à hipocrisia, o avarento não quer renunciar à mesquinhez, o adúltero não quer renunciar às suas paixões, o vaidoso não quer renunciar a auto-exaltação, o homossexual não quer renunciar às suas tendências e o pedófilo não renuncia a sua perversão. Ao contrário disso, queremos moldar o evangelho de acordo com as nossas expectativas. Aí, se eu estou em um grupo que contraria o que atende aos meus anseios, eu saio e vou para outro grupo ou crio a minha própria igreja para legitimar a minha vontade. O que eu não aceito é ser contrariado. Mas o verdadeiro evangelho de Jesus é o evangelho do negar-se a si mesmo, do aborrecer a própria vida. Mas isso poucos querem fazer.

Em Apocalipse 22, o anjo enviado por Jesus alerta para os perigos de se alterar as verdades bíblicas em proveito próprio e, no mesmo capítulo, afirma: “Continue o injusto a praticar injustiça; continue o imundo na imundícia; continue o justo a praticar justiça; e continue o santo a santificar-se. Eis que venho em breve! A minha recompensa está comigo, e eu retribuirei a cada um de acordo com o que fez”.

Maranata, vem Senhor Jesus!

 

Mauro Gomes

Aprendiz de servo inútil

7 Comentário

  1. Caro amigo Mauro,

    Parei tudo, para ler seu post de hoje. O assunto é forte e profunfo. Estou pensando…
    parabéns, vc é homem corajoso.

    Girley

  2. Muito interessante o que você escreveu.

    Somo tentados diariamente a apontar o dedo para os outros, mas não queremos ver os nossos erros.
    Como diz a Bíblia vemos o sisco no olho do outro, mas não enxergamos a pedra que encobre o nosso próprio olho!

    Um abraço

  3. Estou ficando fã de suas postagens. Lembrei da história do sisco no olho do outro enquanto trave na própria…

  4. José milton Bezerra

    Mauro,

    Parabéns pelos artigos publicados, especialmente “Sou igual ao homossexual e ao pedófilo”. Esta reflexão tem de ser feita por todos nós. A aceitação dos homossexuais nas igrejas é uma tendência mundial.

  5. Olá Mauro!

    É bom que as igrejas tenham conragem de falar sobre estes temas polêmicos. Isto não é uma ficção mas uma realidade que precisamos entender melhor para orientar nossos filhos(netos).
    Para não condenar, fazer fofocas como é o nosso hábito nas igrejas.
    Acho muito difícil o assunto, mas precisa ser melhor esclarecido.
    Um abraço,

    • Olá Albertina. Obrigado pelo seu comentário. Realmente, o assunto não é nada fácil, mas já passou o tempo de ignorá-lo.
      Mauro

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